Gateira
Terça-feira, Março 11, 2008

  Alguns esclarecimentos


Por que insistir em conscientizar os proprietários de gatos sobre a importância de mantê-los sem acesso à rua em vez de brigar com os malvados que atropelam, envenenam, torturam...a culpa dessas atrocidades não é de quem as comete? Simples, pois é muito mais fácil e eficiente fazer com quem REALMENTE GOSTA de gatos se conscientize sobre a importância de castrá-los e não dar acesso à rua do que fazer com que psicopatas deixem de ser psicopatas.

Se com leis rígidas contra o assassinato de seres humanos ainda tem um monte de gente matando por aí, imagina em relação aos gatos, animais de que a maioria das pessoas não gosta e tem preconceito e a quem não há lei eficiente que proteja?

Não, gatos que vivem dentro de casa não estão sofrendo e infelizes. E não, gatos que têm acesso à rua não estão livres e felizes. Como eu sei disso? Porque meu conceito de felicidade e infelicidade felina não está apoiado em meus valores humanos (isso seria um contra senso, não? "Eu sou feliz transando, logo, meu gato é feliz transando também"), mas em como os gatos demonstram felicidade ou infelicidade.

Porém, algumas coisas são universais: nenhum ser espancado é feliz. Nenhum ser envenenado é feliz. Nenhum ser torturado é feliz. Nenhum ser com ferimentos infeccionados é feliz. É só ter noção de causa e conseqüência. Um gato não castrado vai fazer pelo menos quatro gatinhos abandonados em cada gata que encontrar pelo caminho, em suas "andanças". O que acontecerá com esses gatinhos? O que acontece com filhote de gato na rua? Os poucos que sobreviverem farão mais gatos abandonados, e a responsabilidade é do gato que originou tudo isso ou do dono que não o castrou? E a gata na sua casa que tem uma cria que você distribui entre os amigos?

E os filhotes desses filhotes? O que seus amigos farão com eles? E os que fizerem filhotes pelas ruas? Isso não é responsabilidade nossa?

A realidade sobre a castração

Gatos são animais com uma grande profusão hormonal. Bem maior do que a nossa, aliás. Hormônios sexuais que os obrigam a reproduzir a espécie, para que não desapareça. Porém, há uma superpopulação de gatos sofrendo nas ruas e se reproduzindo descontroladamente (todo mundo sabe disso, não é?) logo, não há necessidade de mais reprodução da espécie.

Mas eles não gostam de "transar"? A atividade sexual dos gatos é regulada única e exclusivamente pela atividade hormonal, não tem o apelo emocional que tem nos humanos, por exemplo, nem é sequer prazeroso. Mas como a gente sabe disso? O pênis do gato possui pequenos espinhos, que servem para sangrar a vagina da fêmea, pois o espermatozóide do gato só sobrevive em meio sanguíneo. A dor e o sangramento estimulam a ovulação na fêmea.

O gato tem primeiro que brigar com outros gatos pela fêmea. Após muita briga, gritaria, arranhões, machucados e mordidas, ele vai até a fêmea que o aceita por causa do cio, induzido pelos hormônios. Ele morde a fêmea pela nuca, para imobilizá-la e introduz o pênis espinhoso. Ela grita de dor, não de prazer. E ele a segura para que ela não se mova, e possa, assim, perpetuar a espécie. Quando a solta, ele ainda apanha dela.

Todo esse estresse é dirigido pelos hormônios que não têm a menor consciência de que a espécie sofre com a superpopulação. O gato chega em casa (quando tem casa) todo machucado das brigas e possivelmente não está nada feliz com essa situação, mas não pode evitar.

Quanto aos riscos...eles são animais, têm instintos, não se defendem sozinhos?

Doenças muito comuns em gatos, para as quais não há tratamento eficaz, nem vacina, como Peritonite Infecciosa Felina (PIF), Aids Felina (FIV) e Leucemia Felina (FELV) são transmitidas nas brigas, através de mordidas e do contato sexual. São muito contagiosas entre os gatos, embora não passem para os seres humanos. Como gatos não castrados - ou mesmo castrados - sem acesso à rua poderiam se defender de brigas de gatos infectados?

Além disso, gatos na rua estão sujeitos a atropelamentos (eles não sabem atravessar a rua, não entendem nossas regras de trânsito), envenenamentos, ataques de cachorros (aí sim, até podem correr para se defender, mas o último que eu soube que fez isso escapou de três cachorros que o perseguiam e na fuga colidiu violentamente com um carro que passava na rua e quebrou o pescoço. O motorista nem teve tempo de desviar) e espancamentos por pessoas ruins (de criaturas tão maiores, maldosas e mais fortes não há como se defender). A castração e a criação indoor evita que a vida do gato seja abreviada por motivos tão estúpidos. O que pode ser evitado não deve ser considerado acidente, nem visto com naturalidade quando acontece. Se o gato está sob sua responsabilidade, é seu dever protegê-lo do mundo criado pela nossa espécie e para a nossa espécie, tão hostil aos animais domésticos que não têm culpa de terem sido tirados de seu habitat há milhares de anos, perdido grande parte de seus instintos sem a menor possibilidade de desenvolver ferramentas para se proteger em meio aos humanos.

Com tanta castração, gatos não serão extintos?

Gato castrado não se despersonaliza, ele só deixa de ser guiado exclusivamente pelos hormônios. Assim, ele pode viver tranqüilamente sua vida de gato, sem a neurose da perpetuação da espécie a qualquer custo (já que a espécie está mais do que perpetuada).

Mas se todo mundo castrar, eles não serão extintos? Quem se faz essa pergunta não parou para pensar ou nunca procurou sair às ruas à procura de gatos abandonados para alimentar. Eles saem bem tarde da noite, e voltam a se esconder assim que amanhece. Para começar, existem gatos em todos os lugares, se reproduzindo descontroladamente. Alguns nunca sequer serão pegos, pois são extremamente ariscos e morrerão doentes ou sob as rodas de algum carro, não sem antes se reproduzir muito.

Existem gatos nos bairros mais pobres, nas favelas mais distantes, onde as pessoas nem sequer ouviram falar de controle de natalidade e as próprias mulheres têm dezenas de filhos, que acabam não tendo condições de estudo, nem de um futuro. Essas pessoas criam gatos soltos e que se reproduzem descontroladamente, pois essa é sua própria realidade, vai demorar um bocado para que tenham acesso a informação e castração.

Existem pessoas ignorantes - e elas sempre existirão - cujos gatos continuarão a morrer atropelados, doentes, envenenados, assassinados e sem castrar, se reproduzindo descontroladamente.

Existe uma superpopulação absurda de gatos abandonados, que só cresce, cresce e cresce. A possibilidade de extinção diante dessa realidade, parece piada. E é.

E a liberdade? Gatos não são animais livres?

Mais um conceito que enxergamos baseados em nossos valores. O homem gostaria de viver solto, fazendo o que quisesse, andando de lá para cá sem medo e sem noção, transando com todo mundo sem responsabilidade, fazendo filhos que não precisaria assumir, apenas para provar virilidade. As mulheres gostariam de ter milhares e milhares de filhos para provar a maternidade, sem precisar criá-los ou se preocupar com seu futuro, ser desejadas por dezenas de machos, que se matariam por causa delas. É uma visão, de certa forma, romântica, e bem longe da realidade.

A liberdade dos gatos na rua, da forma como imaginamos, não existe. Já falei da relação sexual, que não é nada bonita, nem prazerosa, e nunca poderia ser chamada de "namoro".

A estrutura social dos gatos urbanos é um tanto quanto agressiva. Existe um macho dominante (macho alfa) que, aliás, dificilmente vai ser o seu gato domiciliado (antes que algum homem ache legal a idéia do seu gato ser o macho dominante do pedaço). Eles têm uma sociedade dividida em classes (siiim!!), cada um tem seu território e briga por ele.

Existem caminhos que pertencem apenas ao dono do território (e ninguém pode passar ali), outros caminhos são comunitários e também existem regras de tráfego bem definidas. Se um desavisado cortar o caminho do dono do território, pode até ser expulso, sem conseguir voltar.

Gatos que brigam na rua, guiados por hormônios, podem até se matar em uma disputa violenta, cegar ou machucar profundamente. É um mundo violento, com regras estruturadas.

Mas se é tão ruim, por que eles saem? Seus gatos não vão ficar pensando "Ah, lá fora o fulaninho pode me bater, o cachorro já correu atrás de mim, então acho que eu não vou sair". Eles são curiosos e não têm noção. Embora até consigam se virar bem dentro da estrutura que eles próprios criaram, não conseguem lidar direito com a estrutura dos humanos: carros, motos, gente ruim, veneno, etc. Ao primeiro sinal de perigo, correrão para o lugar em que eles realmente são livres: suas casas (seu território). O gato que citei, que estava fugindo dos três cachorros, foi atropelado enquanto corria, desesperado e atento apenas aos predadores, em direção à casa onde morava com seu "dono". Estava querendo voltar para a segurança de seu território, onde sabia que ninguém o machucaria.


Dentro de casa

Gatos só são mesmo livres dentro de casa, pois ali é o território deles, onde eles se sentem seguros. Mas são curiosos e sempre irão querer passar pelas portas ou janelas que estiverem abertas para eles. Feche a porta de um cômodo qualquer da sua casa e imediatamente aquele será o lugar mais legal do mundo, no qual seu gato irá querer entrar a qualquer custo, até esquecer da idéia.

Gatos que vivem dentro de casa, com as janelas teladas não ficam miando desesperadamente para sair, sinto desiludir quem se apoiava nesse argumento. Mesmo o que eu adotei adulto e morava na rua, miou por apenas uma semana, pois tinha o hábito de sair (e hábito não é necessidade). Quando viu que eu não cederia, resolveu explorar o ambiente interno e começou a brincar, a se adaptar à nova casa.

Hoje ninguém tenta sair, ninguém fica miando desesperadamente, mas também não tenho sequer um gato apático em casa. Agora mesmo, acabaram de brincar de lutinha, o Tiggy está caçando seu ratinho de brinquedo e o Gatão perseguindo uma bolinha. A Ricota está bebendo água. Eles são bem livres dentro de casa, escolhem seus lugares preferidos, seus brinquedos preferidos, brincam bastante, comem bem e depois dormem junto da gente (ou no sofá da sala, quando está muito calor). Assistem à janela como assistimos à TV, curiosos com a movimentação de vizinhos, cachorros e pássaros.

Meus gatos não são exceção, todo mundo aqui que tem gato castrado sem acesso à rua sabe que eles vivem muito melhor do que os que tivemos em casa pelo método "antigo". Quero ver alguém me dizer, por exemplo, que os gatos da Renata são infelizes porque não saem na rua:

http://br.youtube.com/profile_videos?user=Renata34&p=r

E isso não é egoísmo. Garanto que seria muuuito mais cômodo ter meu gatinho para brincar e apertar, mas não ter o trabalho de levar ao veterinário, me responsabilizar por ele o tempo todo e ainda ter a tranqüilidade de dizer que ele "sumiu" ou que foi morto e culpar o vizinho, depois arrumar outro gato, sem peso algum na consciência.

O cara que odeia animais e envenena o gato que aparece sempre em sua casa está certo? Não. Alguma coisa justifica o que ele fez? Não. Mas ele não é obrigado a aceitar um bicho que ele não gosta em seu quintal. Não é mesmo. Isso não o faz menos assassino, não o faz menos monstro, não o faz menos malvado, nem menos psicopata, nem menos imbecil, covarde, fraco e babaca. Isso não faz com que ele esteja certo ao maltratar, mas mostra que ele não é o único responsável por esse acontecimento, pois ele não foi na casa da menina para matar a gata dela, ele teve seu espaço invadido por uma criatura que ele não sabe respeitar.

É exatamente a mesma coisa de dizer que um pai é co-responsável pela morte de sua filha de dois anos, que ele deixou sair às onze da noite até a casa de um vizinho que já era suspeito de assassinar crianças, inclusive o irmão mais velho da menina. Não dá para dizer "é a vida", nós temos responsabilidades e devemos assumí-las.

Uma criança não conhece a estrutura da nossa sociedade e os perigos da rua, é pequena, sem maldade e fraca demais para conseguir se defender de adultos, maldades e acidentes. Um gato adulto tem como se defender em sua sociedade felina, mas essa sociedade é estruturada dentro da nossa sociedade e das nossas ruas, para as quais ele também é pequeno, fraco e sem maldade, incapaz de se defender sozinho e supor os perigos que não são naturais, foram criados pelo homem.

Meu gato é louco para entrar dentro do forno. Se eu abro a porta, tenho que cuidar para que ele não se jogue lá dentro. Mas ele não tem instintos que deveriam protegê-lo dessa vontade? Pois é, avise isso para ele. Não é porque ele tem curiosidade de entrar no forno que eu vou achar que ele precisa entrar lá, que ele gosta e vai sofrer se eu não deixar. Se eu deixar e um dia ele entrar no forno ligado e se queimar, não posso dizer que foi culpa dele ou que "pelo menos ele morreu feliz, fazendo o que queria". Seria um tanto quanto irresponsável de minha parte, não?

Dizer que eles são livres nas ruas, que essa é a "natureza" do gato e que eles têm que "namorar" e são infelizes dentro de casa é argumento de quem não tinha até agora informação suficiente sobre a realidade da sociedade deles, da natureza deles e da vida de gatos castrados e sem acesso à rua.

Gostaria que ninguém comentasse absolutamente nada antes de ler (e ter certeza de que entendeu, nem que precise ler mais de uma vez) tudo o que escrevi. Sei que é muita coisa, mas também sei que ninguém está interessado a exercitar preguiça mental e que todos têm interesse em informações, não apenas em manter suas opiniões arraigadas e "ganhar a discussão". Eu não quero ganhar nada, meu interesse é ver menos gatos nas ruas, e esse é o único caminho.

Assunto sem fim
Já escrevi um ensaio sobre isso. Quem quiser ler, por favor, fique à vontade:

http://vanessalampert.blogspot.com/

Nesse artigo também estão listadas as fontes que usei para pesquisa e também para saber o que eu repeti neste post que acabo de escrever aqui.



 
Comments:

Segunda-feira, Maio 21, 2007

 

Denúncia! Chacina em Porto Alegre

Colo trecho da minha resposta ao email abaixo. Não consigo escrever nada mais elaborado no momento, tão chocada estou com o que li. Até que ponto chega o ser humano?

Quem mata animais assim, só não mata seres humanos se não tiver oportunidade, ou se tiver medo de ser punido. Isso mostra a ignorância e a brutalidade dos seres humanos, a maldade e o egoísmo. É um grande argumento para conscientizar quem não castra seus gatos. Não há como garantir que a descendência do gato que se reproduz não acabe vítima de monstros como esses. Infelizmente, pouco podemos fazer para mudar a mentalidade dessas pessoas. Só o que está em nossas mãos é a tentativa de conscientizar o máximo possível de pessoas sobre a importância da castração, para evitar que mais gatinhos tenham esse fim trágico.

Continuamos na luta, mesmo sabendo que ela é, às vezes, um tanto quanto ingrata. No entanto, a Lei do Retorno não falha, se não houver justiça dos homens, haverá justiça divina, com toda a certeza. E sempre que alguém age dessa forma hedionda com os animais, dá autorização para que o mal (com o qual essa pessoa se associou automaticamente ao praticar atos contra um inocente) entre em sua vida, pela porta escancarada da frente. Vamos divulgar essa chacina, para que, se houver alguma chance desse crime não ficar impune, possamos ter apoio.

Mensagem da Isabel:


---------- Forwarded message ----------
From: Isabel M Walenciuk
Date: May 20, 2007 7:02 PM
Subject: Notícias tristes... Case "Gatos da Perimetral" - estamos de luto
To: isawalen@yahoo.com.br

Perseguição de moradores que não gostam de felinos é fatal: morte dolorosa para 27 gatos da Perimetral


Amigos dos bichos, ESTAMOS DE LUTO, escrevemos com tristeza...

Há alguns meses passei um pedido de ajuda para os Gatos da Perimetral, lembram (bem ao final vai a cópia dele)? Naquele momento havia muita esperança.

Antes daquele pedido, a Betty e eu já havíamos começado o trabalho de salvamento dos bichos, encaminhando alguns para a castração; doando os filhotes e colocando os gatos adultos ariscos de volta ali no terreno baldio da Perimetral, cheio de árvores, em plena Dom Pedro II, esquina com a Benjamin Constant.

O fato é que alguns moradores dos prédios vizinhos literalmente perseguiam e perseguem os gatos. A protetora Betty, antes mesmo de eu passar o pedido de ajuda para algumas centenas de contatos, distribuiu um folheto solicitando apoio das pessoas para salvar aqueles bichanos e explicando o que seria feito, bateu em algumas portas fazendo um trabalho educativo e de consciência. Ninguém ajudou em nada, só reclamavam do mau cheiro e dos gatos que reviram os lixos. Mau cheiro? Os gatos por sua natureza são limpos, tapam com terra seu xixi e cocô. Era do lixo que eles mesmos e os transeuntes jogam lá, a exemplo de pneus. Lixo revirado? Pararam, pois começaram a ganhar mais ração de boa qualidade, comida quentinha, e tudo sempre limpinho, pois além da Betty uma senhora de nome Arminda alimenta-os de manhã bem cedo, limpa o local e ainda recolhe o lixo jogado por algumas pessoas mal educadas.

As pessoas que não gostam de gato se encarnaram nesses bichanos, pegaram no pé. Sempre reclamando, colocando a culpta de tudo neles e falando mal...

Enquanto isso nós estávamos lá, de noite, caçando gatos ariscos e castrando-os em clínica veterinária, com o apoio de uma ONG através de convênio firmado. Uma equipe grande envolvida: nós, da Arca dos Bichos, a ONG, voluntários, você que ajudou de alguma forma ou outra, e a clínia veterinára. Só numa noite pegamos 7 gatos, sendo um adulto, um filhotão, 3 filhotes e um bem filhotinho.

Quase 30 gatos foram castrados

Quantos tinham ali no terreno? 40? Não, tinha mais, pois tinha gatas prenhes. Castramos quase 30 gatos, entre adultos, filhotões e até de 4 meses. Doamos 16 filhotes até agora (4 doados por uma protetora que mora na região), ainda tem 18 filhotes pra doar em casa de passagem, além de 7 adultos, mas tem 4 super ariscos que não vai dar pra doar, uma é a mamãe tricolor, Flor, que amamentou 4 filhotes em casa de passagem (veja foto). Outra, está amamentando dois filhotes também em casa de passagem. O que fazer com eles? Precisamos achar um lar, pois ali naquele local com alguns moradores do lado, à espreita "com arma em punho" não dá pra largar mais...

Um ser humano foi implacável e matou 27 gatos de maneira cruel - deve ser o mesmo que matou 60 noutra época

Educação junto aos moradores? Pedido de Ajuda? De nada adiantou um trabalho que começou a ser realizado visando salvar a bicharada. Há 15 dias os gatos começaram a sumir, e na busca de um com a pata esmagada para levar à clínica para tratamento, começamos a encontrar os corpos. Imediatamente levamos alguns a uma clínica para fazer a autópsia e foi constatado o envenenamento. 27 gatos, entre adultos e filhotes morreram envenenados. Mas morreram mais filhotes, de fome e frio, pois a gata mãe morrendo, deixou os bichinhos esperando ao relento. Ninguém viu, ninguém sabe, mas atitudes estranhas já estavam acontecendo, a exemplo co comportamento de alguns moradores dos prédios - começaram a se esquivar, passar longe...Consciência pesada? Acho que não, pois a esse tipo de gente falta exatamente a consciência maior. É, na verdade, a coragem de encarar olho no olho.

Quantos gatos contamos na hora de dar comida? Somente 14; ou seja, o resto morreu de maneira muito dolorosa, rastejando e urrando de dor, e ninguém viu nada... que estranho, só conseguiam reclamar de vê-los ali, simplesmente, isso eles enxergavam, mas não ouviram ou enxergaram eles pulando ou saltitando de dor.

A sordidez e maldade não pararam por aí...

Mas mais coisas horríveis estavam por acontecer. Nessa quinta-feira, 17 de maio, máquinas pesadas se instalaram no terreno para fazer uma limpeza também pesada, deixando liso o espaço, onde só permaneceriam em pé as árvores... a pedido de três moradores do edifício ao lado do terreno. Soubemos primeiro que era pra limpar o terreno porque ali eles corriam risco de assalto, depois foi comentado que era porque os corpos dos gatos estava cheirado mal... Muito estranho... então sabiam que ali haviam corpos... E que assaltos? Cansamos de ficar horas a fio dentro do terreno baldio e nunca, nunca alguém chegou ou nos abordou.

De manhã cedo a máquina estava cavocando e puxando os entulhos e dois caminhões levando o material. Só que em determinado local a maioria dos gatos que sobraram da chacina estavam escondidos em um pequeno espaço abaixo de uma laje, e se a máquina passasse ali seu peso a e mataria esmagados os felinos. Os funcionários foram muito bacanas, pois nos ouviram e passaram o fone do responsável pela obra, para que pudéssemos tentar salvar o resto de vidas dos animais no local, mostrando o respeito da empresa à vida de todos os animais, o respeito ao meio ambiente. Num dado momento o funcionário da empresa achou 4 filhotes embaixo de uma tábua, no canto da cerca (dois mortos - brancos com manchinhas pretas - , gelados, um morrendo, já babando, outro miando). Tudo indica que estavam morrendo de hipotermia, pela falta de alimentação, pois a gata mãe já havia morrido de envenenamento (pelo nosso controle). Os sobrevivente foram encaminhados imediatamente à clinica, mas um não resistiu. Ao nosso sobrevivente chamamos de Xico - homenagem à São Francisco de Assis.

Batalhão Ambiental atende ao pedido e a empresa é proibida de passar a máquina pesada no local aonde os gatos estavam escondidos ¿ mas não é impedida de fazer a limpeza

Chamamos o Batalhão Ambiental e algumas horas depois a equipe chegou e fez um boletim aonde a empresa ficou proibida de passar com o maquinário pesado ali naquele local. Segundo o soldado Engeroff, do Batalhão Ambiental, a empresa pode limpar o terreno, mas não pode por em risco a vida dos animais, portanto, não pode passar máquinas pesadas ali; pode capinar, passar a foice e recolher os entulhos, mas sem as máquinas pesadas naquele espacinho do terreno, cuidando sempre para não colocar em risco a vida dos felinos. Bem, saímos do terreno baldio somente às 17 horas, após as máquinas. À noite somente 3 gatos apareceram para comer a ração.

Moradores ao invés de ajudar ainda ficam indignados e são ríspidos...

Na sexta a noite, quando saíamos de dentro do terreno, lá no fundo, aonde fomos verificar quantos bichos voltaram, se achávamos os dois filhotinhos de quase dois meses (um p&b e um azul, igual ao Enzo, já doado) e o gato preto que estava com a pata dilacerada - certamente pelos cacos de vidro em cima dos muros - , fomos abordado por uns 6 ou 7moradores dos prédios vizinhos e acusadas de não deixarmos a empresa limpar o terreno, conforme solicitado, de maneira ríspida, um homem aparentando 30 anos foi até grosso, a ainda apontou o braço contra a Betty várias vezes. Foi horrível, parecíamos criminosas para eles... Reclamaram, acusaram, foram cruéis com palavras contra os gatos. Num dado momento esse morador de uns 30 anos, que estava bem indignado conosco e com os gatos, chegou a dizer que "eles que morram de fome", e também disse no meio da discussão "que morram esmagados embaixo da laje, não tô nem aí" (virou uma discussão, pois conversar eles não sabiam).

Amigos do bichos, e o mais triste é saber que uma senhora e sua filha ali do prédio é que começaram a alimentar os bichos, sem se preocupar com a procriação desordenada... agora eles acusam os gatos, seres limpos, que não tem a consciência que o ser humano tem . Sabem o que a senhora disse no meio da discussão sobre o folheto de esclarecimento e pedido e ajuda que foi distribuído? "Se falava em gato coloquei fora!"

Imagine, amigo, que consciência têm essa gente, que ficaram esperando, se reunindo na saída do tereno, para nos abordar e nos agredir com palavras ríspidas, tentando nos intimidar; intimidar a nós, protetoras dos fracos e oprimidos. Ah, uma senhora bem avantajada, a mesma que começou a dar comida ali com sua filha e agora virou as costas disse que ela também é fraca e oprimida. FREUD teria um belo trabalho a fazer ali com aquela gente.

Enquanto isso, moradores restantes estão indignados com quem matou os bichanos e não se importa da máquina pesada baixar o piso em cima deles, transeuntes que passavam e com dó davam comida ou nos davam palavras de ânimo pra salvar os bichos ficaram estarrecidos.

Já no sábado à noite, quando a Betty foi verificar a situação, teve a companhia de nossa amiga e protetora Thiane e seu esposo, e todos os que sobraram da morte por envenenamento apareceram, apavorados, desconfiados. O preto, filhotão da pata dilacerada apareceu e foi pego na armadilha e levado para uma clínica 24 horas ¿ sua pata está em estado muito ruim. Segunda vai pra outra clínica, que não é 24 horas e que é muito boa.

Todos serão castrados, para que não procriem por aí e sejam perseguidos novamente, como se fossem criminosos, culpados de alguma coisa muito ruim, como se estivessem no lugar errado, como se não devessem ter nascido.

É tão horrível ver e saber da maneira brutal como os bichos morreram, foi decepcionante saber que alguns moradores dali, mesmo sabendo de todo trabalho que estávamos realizando, tomaram a atitude criminosa, sem respeito algum à vida, sem respeito algum ao nosso trabalho voluntário, sem respeito a vocês que de alguma forma também estão ajudando esses bichos. Não sabemos quem foi que os matou envenenados, mas o Ministério Público já deve estar investigando.

Que São Francisco de Assis os abençoe e os proteja, que ilumine a alminha daqueles que se foram.

Não precisamos dizer que "aqui se faz, aqui se paga", mas digo, sei e muita gente sabe de o que acontece com gente que faz esse tipo de maldade. O problema é que elas não lembram depois, quando estão passando pelo grande problema que trouxeram pra si mesmo, quando estão resgatando a maldade realizada.

Aguardem, amigos dos bichos, novas notícias e logo enviaremos fotos de alguns gatos pra doar da Perimetral, afinal são vários.

Abraço triste pra todos. Abraços esperançosos...

Isabel Walenciuk e Elisabeth Marcon
Defensoras da Causa Animal

O antes e o depois dos gatos no terreno baldio. Primeiro vários comendo, a maioria já castrados. Depois o espaço aonde eles comiam agora estava com a máquina pesada em cima, bem ali aonde está Betty.











O buraco aonde os gatos se escondiam, sob a laje, aonde a máquina pesada passaria.



A gata mãe, Flor, que foi salva do terreno e amamentou quatro filhotes, que esperam por adoção atualmente. Foto da Flor com outros gatos, tirada antes do ato criminoso.





Mimoso, gato adulto, macho, encontrado morto por envenenamento, no dia da limpeza pela empresa proprietária do terreno, colocado em frente ao edifício reclamante; tem foto anterior dele na hora de ganhar ração, abaixo.





Enzo, gato cinza-chumbo, salvo da chacina, doado; mas um igualzinho a ele reapareceu nesse sábado, com seu maninho preto e branco e sua linda e esfomeada mãe.



Gatinho preto e branco de quase um mês, achado com seus 3 maninhos, embaixo das tábuas pelos funcionários que limpavam o terreno, se preocupando em não machucar os bichanos.




PEDIDO DE AJUDA PASSADO ANTERIORMENTE.

Amigos dos Bichos:

Há anos existe uma turminha de gatos abandonados em um terreno baldio na Perimetral. Coitados, comem pouco, reviram os lixos dos edifícios, das ruas adjacentes e vivem esfomeados, correndo pra lá e pra cá. Saem de dentro dos bueiros, do meio do matinho e não sei mais da onde, mas chegam pulando de tudo quanto é canto. Imagine em dia de chuva o que sofrem esses bichanos. Eles ganham comida, mas nunca é suficiente.

Volta e meia aparece um atropelado, pois o terreno é bem numa esquina e numa curva. E pra piorar um senhor de idade (Verão de 2006) matou em torno de 60 felinos. E ainda por cima alguns moradores estão sempre ameaçando matá-los, chamar o CCZ e por aí afora. Ainda tem um vizinho do terreno baldio sempre reclamando pra gente quando estamos lá, tarde da noite, caçando pra esterilizar: "está aumentando o número de gatos ao invés de diminuir" (ajudar que é bom e necessário... nem pensar). As castrações já foram iníciadas nesse Verão, mas são tantos, gente, que não se dá conta. Tinha 25 antes do Verão, agora tem mais de 40. Alguns filhotões já foram adotados, outros (poucos) estão em casa de passagem.

É triste ver e nada fazer. A Betty, protetora que abraçou esse "case" e eu já cuidamos de outros gatos perto de nossa residência, esterilizamos e encaminhamos para adoção vários bichinhos, e eu ainda trabalho em feiras de adoção. E muitas pessoas já foram ali, tiraram fotos e disseram que iriam fazer uma campanha, mas sumiram e ninguém até agora nada fez. Daí a Betty resolveu começar a "botar a mão na massa", mas gente, tá difícil, é muito gato, muitos filhotes, um mais lindo que o outro, e com muita sorte conseguimos pegar no máximo dois adultos por semana. Tem gata prenhe, gata que recém deu cria e fica difícil caçá-los, pois os que estão amamentando não dá pra pegar, e esses estão sempre querendo entrar na gaiola, pois são gatas loucas de fome, sempre estão loucas de fome. O pior de tudo é que enquanto estiver quente desse jeito as gatas vão entrando no CIO. Estamos há semanas torcendo pra esfriar, e nada.

Bem, "Uma andorinha sozinha não faz verão", não e verdade? Mas nesse caso nem duas, de tanto gato. Mas ainda bem que essa protetora resolveu tentar salvá-los. Fazer o melhor que puder, pois milagre não existe. Além da fome ainda tem a procriação, por isso repasso esse pedido de ajuda para a alimentação e esterilização da gataiada. Pelo menos os mais mansos ela poderá adaptá-los a residências - após castrados - e doá-los. Já foram castrados 14 no total (8 fêmeas e 6 machos).

Como ajudar essa gataiada?

Na verdade dá vontade de sentar na calçada e chorar. Mas o olhar deles dá forças pra continuar e lutar (olhe a foto da gata adulta mais preta que branca e da Sushi ¿ o mesmo olhar ¿ de dar dó).

Com ração: são gastos mais ou menos 3 kg de ração/dia: 3 kg x R$ 4,00 (média qualidade) x 30 dias: R$ 360,00/mês.

Como casa de passagem: para os mais mansos, para os filhotes.

Adotando algum ou ajudando a achar um dono pra eles.

Peço algum valor para o pagamento de esterilização e diárias em clínica veterinária (praticamente todos são super ariscos). Os que chegavam mais perto já pegamos, mas não deu pra deixar dentro de casa de tão ariscos.

Cálculo com valores a baixo-custo:

Através de uma ONG foi possível baratear o valor das esterilizações para R$ 25,00 (valor bem baixo). Procuramos uma clínica que tem hospedagem e é acostumada (tem técnica e experiência) com gatos muito ariscos (preocupação com sua saúde e segurança).

40 gatos pra castrar (por enquanto), sendo 23 gatas e 17 gatos machos (não sabemos o que é macho e o que é fêmea, esses dados são um valor aproximado tendo como base que de 14 pegos aleatoriamente, 8 são fêmeas e 6 são machos.

23 fêmeas x 25,00: R$ 575,00 + 23 gatas x 50,00 (10 dias de diária para a fêmea): R$ 1.150,00 - total fêmeas: R$ 1.725,00
17 machos x R$ 25,00: R$ 425,00 + 17 machos x R$ 15,00 (3 dias de diárias): R$ 255,00 - total machos: R$ 680,00
Total geral: 2.405,00

Valor já gasto e pendente na clínica veterinária que aceitou a realização de um convênio com a ONG:

8 fêmeas: 8 x R$ 25,00: R$ 200,00 8 x 50,00 (10 diárias): 400,00 total: R$ 600,00
6 machos: 6 x R$ 25,00: R$ 150,00 6 x R$ 15,00 (3 diárias): 90,00 total: R$ 240,00


Anexo algumas das fotos deles. Têm alguns filhotes que você poderá adotar, pois estão super mansos. Tem adultos que podem ser adotados, pois têm chance de ser amansados.

Olhem a gata tricolor, linda. Sabiam que ela já foi caçada também? Sim, foi presa por uma arapuca do CCZ e uma senhora do prédio do lado a soltou. Tem gente boa no mundo, ainda bem. Essa mesma gata tricolor foi caçada prenhe, e 2 dias depois amanheceu com 4 ou 5 filhotes. Lindos. Uma é a Selina (pretinha, esterilizada), outra é aquela "tartaruguinha" (esterilizada) que está com seu maninho, o Thor (esterilizado), lindo também (são duas lindas tartaruguinhas). São três filhotes dóceis prontos para serem doados, todas na casa da protetora Betty. E a Sushi, que foi pega em dezembro está com 4,5 meses, é dócil, meiga, tem uma carinha de dar dó, igual a carinha da mãe dela. Os três pretos e brancos irmãos dela foram doados (Yuri, Syrius e Sury), mas ela, apesar de ser um mimo de gata ainda está para ser doada. Tem o cinza chumbo com branco, tem 3 tigradinhos com branco, de uma gata que atravessou a Perimetral e estava iniciando uma procriação desornenada lá, mas um senhor de idade da oficina-mecânica ensacou ela com seus 6 filhotes e largou ali numa rua do lado do terrenão. Coitada, com 6, na rua (avenida mesmo). Tem mais um monte de filhotes lá. Certa noite no ato da caçada para levar à clínica saíram 3 pretinhos, do tamanho dum ratinho, corrento debaixo de um alicerce caído e se mandaram para o mato. Hoje (26/03) soube pela salvadora deles que tem mais novos filhotes pequenos, de uns 2 meses, foram apresentados pelas gatas-mãe nessa semana.

Ajude, tão indefesos e os que sobraram na maioria são tão ariscos, mas que sentem muita fome e a natureza não dá paz, pois vivem procriando. O homem não dá paz, vive querendo acabar com eles.

 
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Quinta-feira, Março 17, 2005

  Gatos Fumantes


"Muito se diz sobre o vício do cigarro e muitos acreditam que abandonar o vício do fumo seja até mais difícil do que abandonar drogas como a cocaína. Mas se a própria saúde não for o suficiente para largar o vício, a saúde dos animais de estimação, principalmente os gatos, pode ser mais do que um impulso para jogar o maço de cigarros fora, inteiro.

Não são só as pessoas que saem perdendo com a fumaceira dos cigarros não: os gatos que moram em casas de fumantes têm muito mais chance de ficar doentes. Esses animais estão mais sujeitos ao linfoma felino, um tipo de câncer fatal. Eles têm duas vezes mais chances de adquirir o linfoma do que os gatos de não-fumantes. Isso porque além de serem fumantes passivos, inspirando a fumaça do cigarro, lambem a fumaça acumulada nos pêlos durante sua higiene. O estudo foi publicado no American Journal of Epidemiology "
Revista Pulo do Gato


Mais informações nos sites: Emedix
Isso também é interessante: sobre crianças, gatos e alergias.

 
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Sexta-feira, Março 04, 2005

  Urgência Urgentíssima



Eu não aguento mais ouvir que gatos se apegam à casa e não aos donos. Me recuso a acreditar que alguém ainda aceite esse tipo de afirmação ignorante. Aí dizem: "ah, mas o fulano se mudou e nem conseguiu pegar o gato, ele sumiu!" Claro! O cara me resolve fazer uma mudança sem antes prender o gato em uma caixinha de transporte! Entra gente estranha na casa, arrastam móveis, abrem as portas, derrubam caixas...o bichinho foge, apavorado!! Depois volta, não tem mais casa, chora à procura do dono até ser morto por vizinhos ruins, morrer de fome, atropelado ou ser maltratado. Uns poucos porém têm sorte de encontrar gente legal e conseguem ser resgatados, cuidados e esperar por adoção.

Animais não são bichinhos de pelúcia, não são mercadoria, não são coisas, são seres vivos. Quando decidimos levar um bichinho para casa, temos que ter responsabilidade para cuidar dele até o fim de sua vida (e fazer tudo para adiar ao máximo o fim de sua vida), dar amor, carinho, ração, conforto....

Gente ruim existe aos montes. E choro ao ver a história dos gatinhos resgatados nos sites de protetores. Torço por cada um deles, já que a vontade é de adotar todos. Cheguei a ver pessoas que se dizem cristãs serem cruéis com os animais. Deus nos deu a responsabilidade de cuidar de todos os animais e tenho certeza de que abandoná-los, maltratá-los, rejeitá-los ou não ajudar é pecado mesmo. A própria Bíblia, em Provérbios 12:10 alerta: "O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel". Independente de religião ou crença, a gente ajuda e cuida porque tem amor, porque tem caráter, porque tem consciência.

E a castração. Isso é necessário para proteger os bichinhos de brigas, acidentes, doenças, atropelamentos e maus tratos aos quais eles estão expostos quando saem à rua atrás de parceiros sexuais. E também para evitar que mais gatinhos nasçam sem lar (você não vai poder ficar com cinco gatos em casa, vai?), isso sem contar que os gatos castrados são mais felizes, tranquilos, brincalhões e vivem mais!! então esqueça aquele papo ignorante de que castrar gatos é uma judiação. Judiação é deixar os bichinhos expostos a crueldades por aí ou fazer os coitadinhos sofrerem com o stress sexual sem poder sair do apartamento, por exemplo. Tenha certeza de que ele será bem mais feliz castrado.

Agora, se você não tem gatinhos e quer adotar, ou se já tem e quer ajudar as pessoas que estão cuidando de gatinhos para adoção em lares temporários (com qualquer coisa, todo mundo pode ajudar. Você gasta dez Reais à toa, não gasta? Então, esse dinheiro pode ser útil para quem precisa comprar quilos de ração, remédios, granulados sanitários e manter os bichinhos bem cuidados. Visite os sites abaixo:


Niterói: http://www.viralatasdeniteroi.cjb.net

http://www.gatinhosdeniteroi.blogger.com.br

Rio:
http://www.adote.blogger.com.br

http://www.protanrj.siteonline.com.br

http://www.gatosbotafogo.hpg.ig.com.br

http://www.gatosdocampodesantana.kit.net/adotar.htm

São Paulo:


http://www.sosgatinhos.com.br

http://www.adoteumgatinho.com.br/

http://www.familiaanimal.siteonline.com.br

Curitiba:
http://www.geocities.com/adocao_curitiba

http://filhotinhos.curitiba.zip.net

Porto Alegre:
http://www.protetoresvoluntarios.com.br/portal

Brasília:
http://www.adocaobrasilia.com.br/doagatos.htm

Campinas:
http://www.adoteumgato.com.br

Goiás:
http://sosanimais.zip.net/index.html

Salvador:
http://www.gatinhosdesalvador.blogger.com.br

Belo Horizonte:
http://salvagatos.blig.ig.com.br

Florianópolis:
http://www.amigosdosanimais.org.br

Divulgar também é legal e informar a quem você conhece sobre a importância da adoção, das telas nas janelas, da castração e da posse responsável. Façamos a nossa parte.


PS: A coisa fofa da foto que abre este post está para doação no site http://www.gatosdocampodesantana.kit.net/adotar.htm . Nesse e nos outros sites tem muitos gatinhos esperando um lar. Gatos de todos os tipos, de todas as cores, de todos os tamanhos e idades, é só escolher e se responsabilizar. Vamos dar uma chance a eles? A opção por um adulto é sempre boa, já que esses gatinhos têm bem menos possibilidades de conseguir um dono. E você tem como saber as preferências e personalidade de um gato adulto. E eles são tão fofos quanto os filhotes :) e já sofreram demais, merecem uma chance de ser feliz.


 
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  Essa eu postei no Another Monster e esqueci de postar aqui:


Bianquinha




Ela não é um gato. É, eu sei, parece gato, mas garanto que trata-se de um poodle. Ou um roedor. Tentei explicar a ela que gosto de gatos, não sou lá muito chegada em poodles nem em roedores, mas ela me ignora.

Nos primeiros dias ela estava calminha, só um pouco apavorada com todos os barulhinhos que ouvia, mas dormia o dia inteiro e vivia perto de mim, carinhosa. Um dia o Dave estava fazendo a pizza e ela deitou com a cabecinha em cima do pé direito do rapaz, a coisa mais fofa.

Mas ela estava recém-chegada de um período de um mês em um hotelzinho em Campo Grande que a deixou desnutrida, estressada e sem grande parte dos pêlos. Além de tudo, enfrentou uma viagem de avião de lá até aqui sem sedativo (a "veterinária" deu uma injeção que não surtiu efeito algum).

Assim que voltou a se alimentar e se recuperou, Bianca (sim, ela tem o mesmo nome da gata da minha mãe) mostrou sua verdadeira face.

Davison comprou um ratinho de brinquedo que ela acha o máximo. Caça o bicho até matá-lo, depois carrega ele na boca com a maior cara de felina caçadora. É o terror dos papéis de bombom e de qualquer outra coisa que ela ache "brincável" na casa (e para ela tudo é brinquedo).

Descobriu que se jogar o ratinho debaixo da geladeira, eu pego para ela. Então pega o brinquedo com a boquinha e leva até a cozinha, em frente à geladeira. Aí brinca, joga para um lado, para o outro até que "acidentalmente" ele corre para baixo da geladeira. Após certificar-se de que não consegue tirá-lo de lá, vem reclamar comigo, miando, mostrando que o ratinho fugiu. Só descansa quando eu finalmente pego o roedorzinho. Para começar então tudo novamente.

Corre desesperadamente pela casa, de um lado a outro, subindo no sofá, na cama e na janela (todas as janelas estão fechadas, obviamente) até parar, ofegante, com a língua para fora, feito um cachorro. E a qualquer barulhinho lá fora, ela corre para a porta, feito um cachorro.

Agora pegou a mania de morder. Descobriu que tem dente, quer morder tudo (e todos). As caixas de papelão estão todas furadinhas pelos dentes dela, nossas pernas e braços vivem em constante estado de alerta, ela não arranha, mas os dentinhos são afiadíssimos.

Roupas, sapatos, móveis, caixas, tudo o que puder ser mordido, mordido será. Ou roído. Descobrimos uma bala de morango debaixo do sofá e ao verificarmos o baleiro percebemos duas balas abertas e uma delas com marcas de dentinhos minúsculos.

Ela é um ser minúsculo. Mas já tem um ano e um mês, teve uma cria antes de ser castrada, mas como não precisou criar os filhotes, seu senso de responsabilidade é zero. Talvez se alguém lhe arrumasse um filhote ela acalmaria...ou teria a quem morder :)

Agora ela está super saudável. O sonho de sua vida é ficar trancada na geladeira, tamanha a pressa que ela tem em enfiar-se lá dentro tão logo alguém abra a porta. Sim, ela é insuportável. Mas sentirei falta desse bichinho.

No domingo ela faz mais uma viagem. Desta vez de carro, para Caxias do Sul, onde reencontrará seus donos: minha irmã Claudia, o marido dela, Adalcir, e minha sobrinha Raíssa.

Diz a lenda que ela sempre foi maluquinha assim. Bem, eu avisei minha irmã do estado enlouquecido em que essa criaturinha se encontra e ainda assim ela está ansiosa para ter sua gatinha de volta (isso é amor). Depois não diga que eu não avisei...risos...

Não é um gato, é um poodle. Uma siamesa no sentido mais extremo da palavra. Agora ela está dormindo em algum lugar desconhecido, possivelmente dentro do box do banheiro (é que está calor), depois de tentativas desesperadas (e inúteis) de me tirar do computador.

Tudo é brinquedo. Eu disse tudo. Pedaços de papel, guardanapos, rolo de papel higiênico vazio, garrafa de plástico, lápis, lixa de unha, papéis de bala e até um ratinho de brinquedo.

O mais engraçado foi sair domingo de manhã para ir à igreja, eu e Dave muito bem arrumados, abrimos a porta e cumprimentamos a vizinha, que ainda não nos conhecia e conversava com outra senhora da mesma idade. Então um um rolo de papel higiênico vazio rola pela porta até pouco além dos meus pés.

Tentei disfarçar, chutando-o de volta com um sorriso amarelo no rosto, mas ela já tinha visto. Então tentei consertar:

-Ah, o brinquedinho da Bianca! - E o Dave, rapidamente:
- Da gata.

A mulher olhou com uma cara estranha, puxou a amiga para dentro do apartamento e fechou a porta :) Ainda bem que daqui a dez dias estaremos longe (ou estaremos longes, como diria José Sarney).

E ainda bem que a próxima semana será agitada, de encaixotamento de coisas e "emalamento" de outras coisas, assim não vai dar tempo de sentir falta da Bianca.

Ah, descobri uma coisa, se eu escondo o rosto com as mãos, a cabeça encostada na cama, ela vem, preocupada, saber o que está acontecendo. Começa a ronronar e a lamber minha mão, achando que estou triste.

Outra coisa, não gosta de ficar sozinha. Se estamos na sala, ela vem para a sala, se vamos para o quarto, lá vai ela para o quarto. E tem uma clara preferência pelo Dave (não a culpo, eu também tenho uma clara preferência por ele), também adora mastigar o dedo dele em momentos de distração. :)

Domingo então ela vai para casa. A única coisa que me consola é que alguééém me prometeu um filhotinho (que deve estar para nascer) e dentro em breve deixarei de participar do MSG (movimento dos sem-gatinho).

Meu primeiro gatinho será carioca, o segundo, gaúcho. Pretendo criar um casalzinho. Alguém pode se lembrar agora de que quando o Nermal morreu, em Setembro, eu disse que nunca mais teria outro gato.

Pois é, mas eu quero dar a outro gatinho a oportunidade de ser amado como ele foi, de ser tão bem cuidado quanto ele foi. Apesar de tudo, a vida tem que continuar. E ninguém jamais vai tomar o espaço do Nermal na minha vida, vai ser outro gatinho, com outro espaço, outra história.

A propósito, devo alertar aos proprietários de gatos, principalmente siameses: favor levar seus gatinhos periodicamente ao veterinário para escovar os dentes. Se eu tivesse feito isso, provavelmente meu gatinho faria quinze anos em Maio.

Mas enfim, não pensemos em coisas tristes porque ele está bem feliz agora, lá no céu dos gatos. E domingo finalmente poderei varrer a casa sem ter ninguém grudada na vassoura, mordendo as cerdas ou se jogando sobre a sujeira varrida, espalhando tudo novamente. E isso, de certa forma, deve compensar o vazio que ela vai deixar aqui.

Ao menos lá ela será muito bem tratada, amada e terá mais espaço para correr e mais pés para perseguir. E será muito feliz, tenho certeza. :)


PS: O filhote que alguéééééém havia me prometido acabou virando lenda. porque a gatinha resolveu economizar e só teve um bebê, já devidamente acolhido à família de sua dona.
 
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Domingo, Setembro 26, 2004

  Perdi um Amigo

Me desculpe, amigo, eu falhei com você. Disse que nunca te deixaria, que estaria sempre por perto, que cuidaria de você e não cumpri. Não pude evitar que você ficasse doente, não pude evitar seu sofrimento, não pude evitar que fosse para uma clínica, não pude evitar que morresse longe de nós.

Recebi a notícia agora há pouco, ele estava com osteomielite mandibular, decorrente daquela inflamação do dente e da gengiva, que causou aquela massa da qual eu já tinha falado aqui e que já tinha sido retirada. Teria que fazer outra cirurgia. Fez a primeira raspagem, mas não foi o suficiente, teve que fazer outra, mas teve uma parada cardíaca durante a pré-anestesia. O veterinário conseguiu reanimá-lo e decidiu adiar a cirurgia.

Durante toda a semana que passou ele foi tratado com vitaminas, teve um acompanhamento nutricional, para ele ficar mais fortinho e aguentar a outra cirurgia. Hoje, durante o procedimento o veterinário percebeu que o osso estava muito comprometido.
Por conta da idade, o osso já estava poroso e não teria condições de fazer mais uma raspagem, ou se quebraria. A mandíbula do gato já é super pequena, frágil, com o passar dos anos, fragiliza-se ainda mais.

Não tinha mais jeito. Ele telefonou para a minha mãe e avisou. Poderia fechar e mandá-lo de volta para casa, mas o processo é degenerativo e ele ficaria cada vez pior, sentiria muita dor e não conseguiria comer.
Minha mãe disse que nem água ele estava conseguindo tomar. Justo ele que sempre adorou comer e tomar água. Passava um tempão tomando água e, em períodos mais secos, em que minha mãe espalhava bacias d'água por toda a casa, ele se esbaldava, tomando um pouco de cada uma.

O veterinário disse que não teria mais jeito, que ele só iria sofrer e que acabaria morrendo por falta de comida, porque não conseguiria se alimentar. Sou terminantemente contra a eutanásia, mas como é que a gente decide isso? Eu não estou lá, como vou dizer: bem, deixe o gatinho viver, cuide dele. Talvez, por um milagre, ele fique bom, ou então veja-o sofrrer até a morte. Ele não merecia passar por isso, ele não precisava passar por isso, não tinha que passar por isso.

Eu iria para lá, para cuidar dele. Mas para quê? Ele já estava na mesa de cirurgia, anestesiado. O veterinário queria autorização para aumentar a anestesia e assim terminar com todo aquele sofrimento. Com todo o sofrimento do bichinho, porque a gente continua sofrendo. Ainda mais agora.

Eu o vi nascer. Eu tinha dez anos, crescemos juntos. Era tão parte de mim, me entendia muito bem. Quando fez treze anos eu escrevi este texto, comemorativo. . Da última vez em que estive em Campo Grande, deitada na cama, ele dormindo, apoiando a cabecinha em minha perna, como gostava de fazer, cheguei a pensar que talvez aquela fosse a última vez que eu dormiria com o meu gatinho.
Fechei os olhos e agradeci por ele estar ali. Por eu poder ter essa oportunidade, por ter aprendido tanto com ele, por ter tido tantas alegrias e ter permitido que ele tivesse uma vida tão boa.

Muito mais do que um gatinho, era meu amigo. Quem nunca teve gato não consegue entender a profundidade desse relacionamento. Ele sabia se eu estava bem ou não, apenas com um olhar. Não gostava de me ver triste, se preciso, brigava comigo, para que eu reagisse. Ficava ao meu lado, fazia companhia, deitava bem pertinho, fazia questão de me ter por perto.

Eu me senti meio culpada quando fui embora, como se o estivesse abandonando. Quando fui a Campo Grande, para o noivado e ele viu o Dave, ficou na sala (o que não era normal. Geralmente um estranho nem via a cor dele, ele saía correndo e ia parar dentro do guarda-roupa), olhou, cheirou, ficou por perto, e eu achei na hora que ele estava entendendo o que significava aquele cara.
Foi assim com as minhas irmãs. Apareceu um cara estranho, passou um tempo, elas saíram de casa e depois apareceram com um filhotinho. Ele captou a mensagem, por isso não fugiu do Dave.

Mês passado, quando saí de lá, o deixei dormindo na minha cama, não quis me despedir, para que ele não ficasse triste. Já tinha conversado com ele pela manhã, depois levei as malas para a sala e não quis incomodá-lo, estava dormindo, bem mais magro, abatido. Preferi deixá-lo assim, porque quando ele estava dormindo não sentia dor, não sentia fome, não sofria.

Agora também. Dói em mim, dói muito mais em mim e em minha mãe, nunca pensei que precisaria passar por isso , principalmente depois que a Lady morreu. Estava certa de que a melhor saída era cuidar o bichinho até o fim, em casa. Mas a Lady só deixou de comer no último dia, seria duro demais vê-lo sofrer sem poder se alimentar. Às vezes a gente tem que se resignar e aceitar que as coisas nem sempre podem ser do jeito que a gente quer.

Mas continuo tendo raiva absoluta de doença e morte. Não aceito, jamais aceitarei. Se eu tinha algo a aprender com doença e morte já aprendi. Passei a vida inteira vendo doença e morte. Comecei, há algum tempo, finalmente, a ver um pouco de vida. E é o que quero continuar fazendo, vendo vida. Não importa se tudo acaba em morte, não me importa se tudo acaba um dia.

Pego o retrato. Tenho muitas fotos dele. Nos últimos dias ele esteve em todos os meus sonhos. Ele e a Lady. São parte de mim, nunca vou esquecer. Nesta foto, mês passado, ele já estava doente.

Mais um ciclo da minha vida que se fecha. Este mês foi pesado para caramba nesse aspecto de ciclos se fechando. Primeiro a Amelinha, agora o Nermal. Espero, ao menos, que o próximo mês seja feliz, que seja um mês de vida, de alegrias, de boas notícias, realizações.
Continuo em hiatus. Abri exceção apenas para dar a notícia. Esperei a semana inteira por uma boa notícia, mas ela não veio. O que posso fazer? Chorei um monte, claro, quatorze anos de convívio não são pouca coisa, seja uma pessoa ou um gatinho de estimação.
Mas o processo é o mesmo, a gente sofre, sente, chora, fica triste, tem aquela saudade que dói e que te corta até a alma, aquela eterna dúvida, sem saber se eu poderia ter feito algo antes para evitar isso, se haveria algo a ser feito.
Depois a dor vai diminuindo até sobrar apenas a saudade, as lembranças, lá no fundo, de um tempo bom, de uma boa companhia que já não existe mais. E a vida segue.

A princípio não quero mais gatos. Continuo amando gatos, fã incondicional dos felinos, mas acho que não estou preparada para bicho nenhum, tão cedo.
Tudo bem que isso não é um pensamento legal, já que ninguém deixa de ter filhos por medo de sofrer caso morram. Mas filhos, depois que crescem, sabem se cuidar. Bichinhos são dependentes e inocentes demais, precisam de cuidados. A princípio, não quero. Não sei do futuro. A bem da verdade, não sei de nada.

Queria poder dormir mais uma noite com meu gatinho enrolado em minha perna, acordar às quatro da manhã com seus pedidos insistentes para que eu o acompanhasse até o prato e colocasse um pouco de ração fresca naquela ração "dormida".

Fiquei mais preocupada com a minha mãe, afinal de contas, tudo naquela casa lembra o Nermal. As portas, janelas, varandas, plantas, sofás, cadeiras, camas, guarda-roupas, estantes, mesas, tudo tem uma história para contar. Deve ser difícil.
Quando eu o levei à clínica para a primeira cirurgia, cheguei em casa aos prantos. Porque geralmente a gente abria a porta e ele já estava ali, nos recepcionando, miava, esfregava em nossa perna, eu o pegava no colo.

Naquele dia não havia ninguém para me recepcionar, ele não estava no guarda-roupa, o prato dele estava vazio, o copo de água, também. Havia pêlos na cadeira, marcas de unhas no sofá, mas nenhum som pela casa. Vazia.

Era só para desabafo, serei obrigada a quebrar o hiatus para avisar que estou bem, quando ficar melhor. Enfim, passa. Dói, mas passa. Foi o que aprendi com doença e morte. Dói, mas passa. E nunca deixa de doer.
Nermal está no céu dos gatos (eu acredito que exista isso), junto com sua mãe, Lady, que morreu em 2001, nos meus braços. E fecho o ciclo, deixando para trás meus dois melhores amigos de infância e adolescência, que tanta alegria compartilharam comigo. Descanse em paz, amigo. Descanse.

PS: Escrevi esse texto à tarde e depois recebemos a visita do Gustavo, primo do Dave, e da Carla, namorada dele. Valeu o dia. Conversamos até tarde, os dois são muito legais, muito mesmo. Aproveito para agredecer. Me ajudou a distrair e a me animar.
Eu só a conhecia pela net. E-mails, orkut e ela lê o blog. Oi, Carla :) Passeamos depois, mas fiquei triste porque enquanto comíamos um cheese-salada cheio de alface, eles comiam um cheese-burguer altamente sem graça. Devia estar bom, mas por mim o mundo comeria aquele cheese-salada. Dane-se se ele custa quatro Reais, é uma vez na vida.

E não disse que os dois são muito legais só por saber que ela lê o blog, eu diria de qualquer forma. E se os dois fossem super chatos eu diria, ou não diria nada. Alegraram bastante esse dia que começou tão triste. Obrigada.

Dave também, esteve do meu lado o tempo inteiro, desde o meu acesso de choro na saída do Jardim Botânico, quando recebi a notícia, até agora, acabou de cozinhar para mim, ficou preocupado, chorou comigo e depois fez de tudo para me animar também. Obrigada, amor, porque sei que posso contar contigo em qualquer situação.
 
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Segunda-feira, Agosto 16, 2004

 
Essa é minha mais nova amiga felina. Fugiu de casa e aportou lá na casa dos pais do Dave, meu marido. Na verdade já tinha outro gatinho por lá, pretinho, depois conto a história dele. Eu comprei um pacote de Friskies para ele e logo ela apareceu.

Gordinha, achei que estivesse grávida. Mia baixo, delicada, meiga e um pouco geniosa. É fresquinha, gosta de ficar dentro de casa, mas sua entrada e permanência não eram permitidas.

A dona da moça apareceu algumas vezes para levar a gata de volta, mas ela sempre fugia e ia parar lá. Não sei, ela deve ter seus motivos para querer mudar de endereço. Dividia a comida com o gatinho preto e morava no telhado.

Não sei qual foi a razão que ela encontrou para deixar o conforto de sua casa e ir refugiar-se no telhado, mas respeito seus motivos, sejam eles quais forem.

Só sei que ela foi ficando, ficando...conseguiu, em uma noite de frio, o direito de acomodar-se em uma caixa na área de serviço, já dentro de casa, mas separada do resto do imóvel por uma porta.

Um dia eu a encontrei deitada na parte de cima do tanque, com as patinhas molhadas, morrendo de frio. Ela não queria a caixa com os panos dentro. Não, ela queria sim, mas não no chão. Precisava sentir-se segura, e poder olhar pela janela durante a noite. Não tive dúvidas, a caixa foi parar no alto do tanque.

Agora passeia pela casa, de vez em quando. Conquistou a família, tem seu cantinho, ganhou de presente do Dave (e de mim) uma caminha bem fofinha, na qual deita durante o dia e só sai para tomar um solzinho.

A ex-dona desistiu. Disse ao meu sogro que ele poderia ficar com a gata, já que ela se recusava a voltar para casa. É castrada e bem saudável. Ganhou também um arranhador e uma bolinha que ainda não descobriu para que serve. Adora ser escovada e ama brincar com uma escova de dentes velha que fica em cima da pia.

Pensamos, de início, em levá-la para morar conosco quando voltarmos e estabelecermos residência fixa, daqui a um ano. Mas o pessoal está se apegando tanto a ela que duvido muito que conseguiremos a companhia desta menina quando estivermos de volta.

Não tem problema. Ela encontrou o que queria: uma casa, uma família, uma cama quentinha, ração gostosa e muita gente para lhe dar atenção e carinho. É uma dama muito delicada, que ainda não tem nome certo. Meu sogro a chama de "Cida", de "aparecida", por ter aparecido por ali. Eu a chamo de "menininha", mas ela ainda não escolheu o nome que quer ter. Por enquanto ela atende a qualquer chamado carinhoso nosso, porque sabe que "Lindinha", "fofinha", "amiguinha" e qualquer outro diminutivo, apesar de seu tamanho avantajado, refere-se, sempre, a ela.


 
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Quarta-feira, Maio 05, 2004

  Já que as dúvidas são quase sempre as mesmas, achei prudente resgatar um post antigo sobre uma sempre-dúvida que leva ao abandono desnecessário (nenhum abandono é necessário) de gatos, por pura desinformação:

Domingo, Abril 27, 2003
Perguntas pertinentes, sobre assuntos que sempre estão em pauta quando a conversa é sobre gatos, serão respondidas aqui. Castração, toxoplamose, comportamento felino...para começar, toxoplasmose:


É verdade que a mulher grávida deve se desfazer do gato
para não pegar toxoplasmose?!


Não, é mentira.

Não há nada que se possa
fazer para evitar a doenca?

A toxoplasmose, ao contrário do que dizem, não pega pelo simples contato com o gato e nem todo gato é portador da toxoplasmose. Você pode pegar a doença se comer fezes ou a carne crua do animal infectado, portanto se você não tem
o costume de degustar essas iguarias fique tranquila.

A maioria das pessoas já possui anticorpos contra a toxoplasmose, porque já tiveram contato com o microorganismo. Como? Lembra quando você era criancinha e gostava de brincar na areia do parquinho ou da escolinha, da praça, enfim, naquele tanquinho de areia tão legal? Então. Sem nem notar você colocava os dedinhos na boca...dedinhos cheios de sujeirinha debaixo das unhas...junto dessas sujeirinhas tinha um bichinho chamado toxoplasma, que acabou ficando ali porcausa de um cocô de gato ou de pomba, ou de qualquer outro animal infectado.

Então, sem você saber, aquele tanquinho era um grande viveiro de bichinhos da toxoplasmose. E isso, apesar de nojento, foi ótimo, porque após o primeiro contato com a toxoplasmose você desenvolve anticorpos e nunca vai pegar a doença. Então, despreocupe-se. Quando ficar grávida dê um longo abraço em seu gatinho, ele vai adorar conhecer o seu bebê e fazer amizade
com ele.

----------------
e um pequeno reply sobre o assunto:

Não há risco caso sejam tomados bons cuidados de higiene, como a mulher grávida não manipular as fezes (ex: limpar a caixa de areia) do gato,
Pode manipular as fezes desde que não as coma. Dá para tirar o cocô com luva e pá, se ela não pretender lavar as mãos após o trabalho. Aliás, acho que todo mundo limpa a bandeija de areia com pá...alguém faz isso com as mãos???

não lidar com carne crua,

Não COMER carne crua. Mesmo porque, dependendo do açougue, nunca se sabe se o contra-filé que você comprou é, na verdade, a carne contaminada do gatinho da esquina. :)

lavar as mãos com frequência, etc...
Isto é recomendável em qualquer situação.

não existe motivo para eliminar o gato. O ideal é consultar um veterinário para ele lhe informar melhor dos riscos e cuidados que devem ser tomados.

Não existem riscos e cuidados além desses, mas consultar o veterinário é sempre bom.

Esse tópico me lembra a briga que a Dra. Mônica, veterinária do Nermal, teve com o obstetra dela, assim que engravidou (pela terceira vez) e ouviu da criatura que deveria desfazer-se dos seus gatos. Ela perguntou se ele sabia como se dava o contágio...obviamente, ele não sabia...e pior, repetiu a ela a crença de que ela poderia pegar toxoplasmose ao simples contato com qualquer gato. Como sempre, o melhor é se informar. 
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  Dos arquivos do meu namorado Dave, a gatinha dele, Miminha, que infelizmente não está mais entre nós, e seu filhote...olhe só o tamanho do gato, mamando. Teoricamente os gatinhos desmamam entre três e quatro meses, quando começam a comer ração. Só que alguns continuam enquanto a mãe (ou o dono) deixar. Desmamamos o Nermal quando ele já tinha um ano de idade!! As filhas da Bianca mamam até hoje e esse gato enorme também ainda se achava um filhotinho...risos...dificilmente as mães percebem que seus filhotes cresceram e cobram deles comportamento adulto...mãe é mãe, de qualquer espécie!

Falando em fotos, a nossa Galeria também está reformulada. Quem quiser participar, favor mandar uma foto de seu gatinho e a história dele para gateria@hotmail.com e a gente publica. Por enquanto, sem periodicidade, isto é, a hora em que você mandar a gente já pode publicar. Ao menos por enquanto. Para o mesmo e-mail podem ser enviadas as dúvidas, assim como para o outro que vocês já estavam usando, mas peço que dêem prioridade ao e-mail da gateria porque facilita para todo mundo.

 
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Terça-feira, Maio 04, 2004

  Mudei o template!!! E prometo a mim mesma dedicar-me mais a este blog. Sei o quanto nós, criadores de gatos, penamos atrás de dicas e respostas às nossas dúvidas, já que o "petworld" é dominado por "cachorreiros"...risos...não tenho nada contra cachorros, mas este blog vem, junto de outros blogs e sites, para ajudar a suprir essa lacuna.

Já falei sobre isso aqui, Pet Shops em que você encontra 98% de produtos para cães e 2% para o resto dos pets, incluindo aí gatos, coelhos, hamsters, caturritas, tudo no mesmo saco. Na internet, felizmente, vemos o quanto o número de criadores e amantes de gatos é alto. E por que os Pet Shops não vêem isso? Sei lá, não perguntem para mim, tenho a mesma dúvida.

Na verdade este post foi só para inaugurar o template novo. À direita, alguns links, blogs de gente que sei que é super gateira, fotos, na ordem: Lady, Bianca e Nermal. Amanhã ou hoje mesmo volto com mais novidades.  
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Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004

  A Loja de Cavalos

Quanto mais eu vivo mais me impressiono com a ignorância de algumas pessoas. Mais do que ignorância, falta de respeito. Hoje fui profundamente desrespeitada em um estabelecimento comercial relativamente próximo à minha residência. Vamos por partes.

Saí de casa, como sempre, sem me importar muito com o que estava vestindo, em uma produção ligeiramente "hippie" sem a mínima intenção de sê-lo. Saia estampada azul, blusa de alcinha vermelha, sandália plataforma surrada bege, cabelos presos com uma caneta e casaco de linha com largas listras em amarelo, azul, verde e vermelho (acreditem, essa descrição é necessária para a compreensão do fato), brinco de borboleta, bijuteria qualquer que me custou dois Reais.

Nunca tive problema em sair assim na rua, nunca ninguém me tratou diferente por conta da roupa que eu estava vestindo. Até hoje.

Voltando para casa notei uma loja de animais que nunca tinha visto na vida (e que deveria ter passado batido), me chamou a atenção além da falta de iluminação do local, o fato de ter dezenas de gaiolas empilhadas umas sobre as outras com dois ou três cachorros em cada uma. Olhei mais para o canto e vi uma gaiolinha cheia de gatos, uns cinco ao total. Eram siameses e por um instante tive vontade de escolher um, quem sabe encontraria algum com os olhos da Lady? Montando apartamento, sentindo falta de um gatinho, pensei em dar uma olhada neles.

Entrei e me aproximei da gaiola. Estranhei o desespero com o qual eles se atiraram sobre as grades, em minha direção, achei que estavam carentes e fiquei brincando com eles enquanto o vendedor não chegava (geralmente é só você entrar nesses Pet Shops que não demora a chegar algum vendedor) para que eu pudesse perguntar o preço.

De repente chegou ao meu lado uma moça loira de olhos verdes, bem vestida. Estava olhando os cachorros e começamos a conversar, comentando como eles estavam carentes. Vi um gatinho menorzinho junto dos outros, pareciam ser da mesma ninhada, mas aquele estava com o corpo cinza-escuro demais para ser um siamês, deduzi então que nenhum deles era, na verdade. Tanto faz, depois eu perguntaria a idade e o preço, se eram ou não da mesma ninhada, talvez aquele fosse SRD, de outra família, e estivesse para adoção.

Então a moça falou comigo denovo "Veja só, eles estão morrendo de fome"- olhei para ela e vi que estava com alguns grãos de ração na mão, dando para os desesperados cachorros. Vi que ela os tirava de uma tigela posta do lado de fora da gaiola. Estranhei, nunca havia visto aquilo antes e como não havia nenhuma placa do tipo "não alimente os animais", presumi, inocentemente, que aqueles grãozinhos de ração estivessem ali para isso mesmo.

Peguei um e ofereci aos gatinhos que, desesperados, quase arrancaram meu dedo fora na tentativa de se alimentar. Achei melhor jogar no pratinho deles, do lado de dentro, ao menos manteria minhas mãos a salvo, os bichinhos estavam realmente famintos. Fiquei pouco tempo nisso, mesmo porque não tinha condições de passar mais do que um grão por vez pelas grades, achei que eles eram gulosos, afinal de contas, gatos deveriam ter comida à vontade.

Olhei para o lado, a moça já havia ido embora e tinha outra menina loira olhando um Poodle. Nesse momento surge, do nada, um homem sujo e mal-encarado, vestido com o avental do lugar, antes que eu pudesse lhe perguntar qualquer coisa, ele veio gritando, em um tom que provavelmente ele não teria nem coragem de usar para espantar um cachorro de rua:
-Quem mandou dar comida pros cachorros? Não pode dar comida pra eles não, vai saindo.

Hein? Ouvi ruídos... meus ouvidos não podiam crer no que eu havia acabado de escutar. Como sabem, não estou acostumada a barraco, simplesmente não sei como reagir quando sou confrontada com a irracionalidade humana. Ainda sem perceber que estava diante de um ser bestial, argumentei:

-Eu estava dando uns grãos de ração para os gatos, não para os cachorros.

Só um detalhe: ao que eu saiba, em quinze anos de criação de gato e estudos sobre o tema, cachorros têm horários para comer, quantidade de comida e tal, mas gatos devem ter comida à vontade, para que façam seus próprios horários. Todo o universo veterinário sabe disso, menos a tal veterinária da loja.

-Não interessa, eles têm horário para comer.
-Gato não tem horário para comer!
-Não interessa, eu é que mando aqui, você não tem que se meter no que não é da sua conta.

Sim, caros leitores, eu ouvi isso da boca de um senhor de cerca de quarenta anos, provavelmente infeliz e insatisfeito em absolutamente todas as áreas de sua vida. O que eu não sabia é que isso era uma regra para se trabalhar ali. A moça que olhava o Poodle perguntou o preço do cachorro umas duas ou três vezes e foi solenemente ignorada, até que engrossou:

-Eu lhe fiz uma pergunta, qual é o preço desse Poodle?

Só aí ele respondeu, mais ou menos feito gente.

Fui até o balcão da loja e pedi um cartão, aquele era um lugar que eu não poderia jamais esquecer exatamente onde ficava. Perguntei o nome dele, Luís, e saí da loja.

Mas não era possível, aquilo estava errado, eu precisava saber com quem estava falando, não por mim, mas pelos animais. Voltei e perguntei se ele era o dono do estabelecimento e ele disse que era um empregado. Disse que ele não deveria ser grosseiro com os clientes "Que cliente?"- ele me perguntou, cinicamente, como se eu não tivesse condições de pagar por um Siamês. Mandou que eu falasse com a chefe dele e eu, tola, fui, acreditando que encontraria algum cérebro naquele lugar.

Infelizmente a moça só tinha uma cabeça para melhor apoiar seus descoloridos fios de cabelo, para minha mais profunda perplexidade ela repetiu a mesma grosseria, com as mesmas palavras, quando eu lhe sugeri que colocasse então um aviso na grade, algo do tipo "Não alimente os animais" ou "Não toque na gaiola", como é de praxe em qualquer Pet-Shop sério. Pois é, aquilo não era um lugar sério. Entre outras coisas a criatura me disse:

-Eu não tenho que colocar aviso nenhum, a pessoa é que não tem que se meter no que não é da sua conta, você viu mais alguém dando comida para os cachorros? Isso nunca aconteceu aqui, você é a primeira que faz um absurdo desses.
- Tinha uma moça dando ração para os cachorros quando cheguei, vocês dão margem a isso deixando os potes do lado de fora.
-Luís, tinha mais alguém dando comida para os cachorros?- Perguntou, cética, ao que ele respondeu negativamente.
-A senhora está achando que estou mentindo?
-Não, mas não interessa, os bichos todos têm horários certos para comer, nós temos uma veterinária. - Aí eu tive que levantar a voz (mesmo porque do jeito que ela estava gritando eu não seria nem ouvida se falasse em meu tom habitual)
- Mas não é isso que eu estou discutindo, eu não quero saber dos horários deles, o que eu não aceito é ser desrespeitada, é essa a questão, a grosseria.
-Luís, você foi grosso com ela? - É, a essa hora eu sabia que não dava para ter um diálogo produtivo ali, neurônios isolados não realizam sinapses.

Ela pediu que eu esperasse, chamaria o dono do estabelecimento. Ufa- pensei- certamente é alguém de bom senso que vai me ouvir, apaziguar tudo e me permitir ir em paz sem me sentir tão insultada. Ah, escritoras idealistas nunca aprendem!

O homem já chegou, inchado de raiva como um sapo, dando coices para todos os lados, tentei fazer com que ele me ouvisse (até a moça grossa pediu a ele que me ouvisse primeiro), mas era inútil, eu pedia a ele para se acalmar, apavorada, achando que o cara iria infartar ali na minha frente (sim, ele manifestou) e ele, berrando que estava calmo, me expulsou dali. Claro, se ele encostasse a mão em mim eu chamaria a polícia, ainda tentei agir civilizadamente (como se age civilizadamente com uma coisa daquela? Não, não vou chamá-lo de animal porque conheço bem a natureza dos animais, até eles têm senso de justiça, aquela criatura era uma aberração) e quem teve que se retirar foi ele.

-Eu nunca tinha entrado nessa ma... nessa loja
-Pode dizer! Pode falar "nessa merda de loja", pode dizer! Era isso que você ia falar, não era? -Gritava, histérico.
-Não ia falar isso porque não estou acostumada a usar esse vocabulário, eu ia dizer "nessa maldita loja", mas não gosto de maldizer a nada nem ninguém, ainda que mereça.

Sem ter o que responder, ele saiu, relinchando. Perguntei à moça o nome do dono, ela me respondeu, desconfiada: "Elói". E depois, achando que estava ficando educada demais respondendo sem gritar, esbravejou: "Ah, quer saber? Eu não vou ficar perdendo tempo com gente baixa". E saiu, batendo os cascos, certamente para se matar.

O que eu posso dizer? A coisa é tão absurdamente surreal que eu não sei se rio ou se choro. Se fosse só por mim eu não daria a mínima porque sei que todos os que praticaram injustiça contra mim até hoje se deram muito mal, e não é praga não, mas é justiça que Deus provê aos que são Dele. E não é justiça a longo prazo, é a curto mesmo.

Mas e a justiça dos homens? Não existe em um caso desses? E aqueles gatos ali passando fome? Ninguém vê? E o prato de comida do lado de fora sem nenhum aviso na grade? E a grosseria? E o desrespeito? Terá sido preconceito? Pela minha roupa? Pelos meus traços? Algum motivo irracional deve haver, não consigo imaginar que eles tratem assim todos os clientes, aliás, não tratam, eu vi.

Por que ninguém parou a moça loira que estava alimentando os cachorros antes de mim? Será mesmo que ele não viu? E agora? Fica por isso mesmo? Procon? Mas eu não comprei nada naquele lugar, o Procon pode me defender? Pequenas causas? E como é que eu vou provar que foram grossos comigo? Claro, não deve ser difícil porque pessoas como essas facilmente entregam suas naturezas diante de uma acareação, por exemplo. Sociedade protetora dos animais? Ora, e isso funciona neste país? Alguém capaz de ver a situação daqueles bichos, empilhados, passando fome, aparentemente saudáveis, porém visivelmente estressados?

Quem trata um cliente como se fosse um cachorro de rua, como será que não trata um cachorro? A ração da gaiola dos gatos era a mesma da gaiola dos cachorros, eu me lembro de ter presenciado a morte de um filhote daquela idade por ingestão de ração para cachorros há uns seis anos. Que veterinária é essa?

Pior é a sensação de impotência, de impunidade, sentindo-me humilhada enquanto pessoa, enquanto criadora de gatos, enquanto criatura pensante, sentindo-me impotente enquanto aqueles bichos estão passando fome em um lugar de onde certamente demorarão a sair, a julgar pela forma com a qual seus candidatos a donos são tratados ali.

Porque eu fiz algo proibido por uma lei interna tão secreta que nem em um mísero cartaz de aviso foram capazes de colocar, porque não adivinhei que aquele prato colocado ali na frente, na direção de nossas cabeças, do lado de fora, cheio de ração, não estava ali para ser utilizado pelos clientes sabe-se lá por quê, por não ser capaz de adivinhar as manias do "estabelecimento" então havia justificativa para a grosseria, a estupidez, para me tratarem como lixo naquele lixo? Então eu tenho que engolir o sapo e ir para casa, passando mal?

Achei que vivíamos em um lugar em que as pessoas eram respeitadas e que os clientes ou possíveis clientes dentro das lojas tivessem sempre seus direitos resguardados e fossem tratados com educação ao menos por quem se diz "dono" de alguma coisa e não na base do "eu mando aqui e você está em meu território", sou civilizada demais para saber aceitar desrespeito com naturalidade.

Pensei que esse fosse um lugar em que as pessoas que se prestam a ter uma loja de animais domésticos tivessem a sensibilidade necessária para lidar com eles e com quem deles gosta, e usassem seus cérebros com sabedoria, entendendo, desculpando, pensando, ouvindo, refletindo, ponderando. Pensei que houvesse algum respeito. Desculpem, planeta errado.

PS Não, não ia colocar, mas ontem passei em frente da tal loja de animais (em todos os sentidos) e vi algo bastante grave: eles têm serviço de hospedagem!!! Imaginem só, se tratam daquele jeito os animais da própria loja, imaginem o que não fazem com os animais de seus clientes? Enfim, se estiverem em Porto Alegre, nunca, em hipótese alguma deixe seu bichinho de estimação hospedados no seguinte estabelecimento: "Dog's Hose Pet Shop- Av. Assis Brasil, 63- Porto Alegre,RS". Mantenham distância desse lugar, contém criaturas humanas descontroladas.

 
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Quinta-feira, Dezembro 04, 2003

  Nermal, comendo a comida das crianças:


Detalhe: ele acaba de comer a comida dele (Vetcat Senior 10+ da Royal Canin, pouco mais de trinta Reais o pacote com 1,5Kg) e vai comer a ração da Bianca (Cat Chow, Purina, cerca de cinco Reais o pacote de 1Kg)

 
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Quarta-feira, Novembro 19, 2003

  O meliante

Eis a foto do Gatão, espionando:
 
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Segunda-feira, Novembro 17, 2003

  Novo link, a nossa galeria de gatos, ou gateria .
Só tem dois, por enquanto. Podem mandar mais. 
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  Só mais uma coisa:

"Ei, fazia tempo que eu não visitava o seu blog! Adorei a "Gateria". Eu tenho um gatinho que adotei há pouco tempo. Ele perdeu uma pata e cortaram o rabinho dele. Mas já está tudo bem e somos muito felizes juntos. Vou me mudar pros Estados Unidos e ele também vai! Mas queria mesmo era comentar sobre uma pergunta que fizeram. Alguém queria saber se é necessário fechar a área da piscina. Como você respondeu, É SIM! Uma vez eu perdi uma gatinha dessa forma. Foi muito doloroso. Haviam me dito que não havia perigo, que os gatos não se aproximam de piscinas etc. Jamais vou esquecer a tristeza e a sensação de culpa.
Catherine


Faz seis meses que recebi isso e, mexendo nos arquivos percebi que esse depoimento não poderia ficar escondido por lá... 
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